sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
fé cega, faca amolada
Frase citada pelo José Geraldo Couto e contada a mim pelo Fábio Victor:
"Desarmados, mas com um canivete na meia".
É como eu desejo a todos que adentrem 2010.
sábado, 12 de dezembro de 2009
dentro de mim
Há uma árvore de Natal muito bonita na entrada do meu condomínio
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
As fileiras de luzes amarradas nas árvores da avenida são azuis
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
O dono do bar pendurou um Papai Noel de paraquedas no teto
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
As crianças correm entre os enfeites da área de lazer gritando palavrões
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
Chove muito em São Paulo neste final de ano e eu não tenho guarda-chuvas
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
O campeonato de futebol acabou
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
É precisa lembrar de deixar o dinheiro da caixinha na portaria
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
Há promoções em todos os lugares, descontos, parcelamentos
e dentro de mim a fúaria
e dentro de mim o amor
A chuva traz um cheiro de terra que lembra minha infância
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
As passagens para a cidade dos pais estão compradas
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
Mais um ano que chega ao fim
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim, o amor
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
As fileiras de luzes amarradas nas árvores da avenida são azuis
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
O dono do bar pendurou um Papai Noel de paraquedas no teto
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
As crianças correm entre os enfeites da área de lazer gritando palavrões
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
Chove muito em São Paulo neste final de ano e eu não tenho guarda-chuvas
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
O campeonato de futebol acabou
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
É precisa lembrar de deixar o dinheiro da caixinha na portaria
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
Há promoções em todos os lugares, descontos, parcelamentos
e dentro de mim a fúaria
e dentro de mim o amor
A chuva traz um cheiro de terra que lembra minha infância
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
As passagens para a cidade dos pais estão compradas
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim o amor
Mais um ano que chega ao fim
e dentro de mim a fúria
e dentro de mim, o amor
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
segunda divisão
nesta tarde de domingo
quando se vai ficando
ouvindo os gols
ao sul deste país
aqui, nesta tarde
quando quase dormindo
sob um céu de gols
ouço o azul do brasil
esqueço a bola na trave
ansiedade que se esfacela
vida que segue o jogo
presente em zero a zero
(o esboço deste poema foi feito em uma tarde de 1998 em Ribeirão Preto, ouvindo Comercial x Botafogo no radinho)
quando se vai ficando
ouvindo os gols
ao sul deste país
aqui, nesta tarde
quando quase dormindo
sob um céu de gols
ouço o azul do brasil
esqueço a bola na trave
ansiedade que se esfacela
vida que segue o jogo
presente em zero a zero
(o esboço deste poema foi feito em uma tarde de 1998 em Ribeirão Preto, ouvindo Comercial x Botafogo no radinho)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
mais leminski

“Que Viva Leminski!” aborda a obra do
poeta curitibano no SESC Consolação
No ano em que se completa 20 anos da morte de Paulo Leminski, uma edição do Projeto “Outros Contextos” apresenta vida e obra do poeta por meio de mesa de discussão, apresentação musical, leitura de poemas e ambientação, com consultoria de Ademir Assunção e direção de arte de Miguel Paladino. Participações de Boris Schnaiderman, Jerusa Pires Ferreira, José Miguel Wisnik, Neuza Pinheiro, Alice Ruiz, Mario Bortolotto e Áurea Leminski.
O projeto Outros Contextos, do SESC Consolação, em novembro faz uma homenagem ao poeta curitibano Paulo Leminski. Iniciado pela unidade em agosto, Outros Contextos tem como objetivo incentivar a leitura de obras de importantes autores da literatura brasileira e universal.
Neste mês, Que Viva Leminski! apresenta a vida e a obra de Paulo Leminski por meio de mesa de discussão, apresentação musical, leitura de poemas e ambientação, com consultoria de Ademir Assunção e direção de arte de Miguel Paladino.
Fãs e amigos de Leminski como Boris Schnaiderman, Jerusa Pires Ferreira, José Miguel Wisnik, Neuza Pinheiro, Alice Ruiz, Mario Bortolotto, Ademir Assunção e Áurea Leminski fazem parte da programação. Obras do poeta e CDs com músicas compostas por ele estarão à disposição do público para consulta no local. Textos e fotos de Leminski, em suas mais variadas facetas, serão plotados nas paredes, portas e elevadores, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre ele.
OUTROS CONTEXTOS - QUE VIVA LEMINSKI!
De 5 de novembro a 19 de dezembro. Segunda a sexta, das 13h às 22h / Sábados, das 9h às 18h. Não recomendado para menores de 16 anos
Grátis.
Abertura
Dia 5/11. Quinta, às 20h.
Leminski em prosa, verso e música.
Mesa de discussão a partir da vida e da obra do poeta curitibano, com os professores Boris Schnaiderman, Jerusa Pires Ferreira e José Miguel Wisnik.
Mediação do poeta Ademir Assunção
Local: Sala Ômega – 8º andar. Lotação: 80 lugares.
Não recomendado para menores de 12 anos
Grátis.
Dia 7/11, sábado, às 20h
Distraídos Venceremos
Poemas de Leminski por Alice Ruiz, Mario Bortolotto, Ademir Assunção e Áurea Leminski.
Local: Espaço Beta – 3º andar.
Duração: 45 minutos
Grátis. Lotação: 60 lugares.
Dia 11/11. Quarta, às 19h30.
Profissão de Febre
A cantora Neuza Pinheiro, acompanhada do músico Ronaldo Gama, apresenta parcerias com com Leminski, entre elas "Para umas noites que andam fazendo", "Filho de Santa Maria", "Idéia Brilhante", "Puro Espírito", "Sina que me brisa" e "Alma rasa".
Local: Espaço de Leitura – 3º andar
Não recomendado para menores de 12 anos
Grátis.
Dias 13 e 27/11. Sextas, às 16h.
Uma palavra para Leminski
Narração do texto infanto-juvenil Guerra dentro da Gente, realizada pela contadora de histórias Kelly Orasi, do Núcleo Trecos e Cacarecos.
Duração 45 minutos.
Local: Espaço de Leituras.
Não recomendado para menores de 10 anos
Grátis.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
os ansiosos agradecem
Ao receber o Prêmio Bravo! ontem, Selton Mello agradeceu à psicanálise e ao Rivotril. Não ganhei nada, mas faço coro com ele.
sábado, 24 de outubro de 2009
romance pós-moderno
O herói sai.
Vive aventuras, volta vitorioso e nunca mais sente o vazio que o assombrava.
O herói fica.
Passa os dias convivendo com um vazio que não consegue preencher.
O herói medita.
Sabe que vive um vazio, mas não consegue compreendê-lo. Decide isolar-se e filosofar a respeito.
O herói se aliena.
Faz de tudo para não viver o vazio que sabe que sente. Pragmático, facilita a existência.
O herói sublima.
Vive as fantasias que cria para não precisar encarar sua realidade vazia.
O herói se deprime.
Bebe o dia todo para anestesiar a angústia que o vazio lhe traz. Quanto mais bebe, mais angustiado fica.
O herói é sádico.
Regorzija-se com o desespero de se saber condenado ao vazio.
O herói crê no futuro.
Intui que o vazio é algo passageiro e que em algum momento compreenderá o sentido de tudo.
O herói é um ingênuo.
Sempre diz que é preciso manter a esperança, que os problemas passam e que tudo ficará bem no final, até mesmo a sensação de vazio.
O herói flerta com a morbidez.
Vive repetindo que a morte é o único sentido da vida, vazia.
O herói é raso.
Gosta mesmo é de comer em frente à TV, ver sacanagem na internet, jogar videogame, gastar em roupas, frequentar lugares badalados e trepar com garotas de programa. Não há vazio na superfície.
O herói caminha pelas ruas vazias.
Fala sozinho, chora no escuro, escreve cartas de amor e diz aos amigos que gosta muito deles.
O herói decide deixar o povoado.
Faz as malas e parte em busca de algo que não sabe o que é, para que ao menos o vazio que o acompanha mude de lugar.
(para Cláudia e João Gabriel de Lima, um texto da Mariana sobre nossas reflexões a respeito do mito do "herói sai, herói vence, herói volta", do romance, de Machado e de Flaubert)
Vive aventuras, volta vitorioso e nunca mais sente o vazio que o assombrava.
O herói fica.
Passa os dias convivendo com um vazio que não consegue preencher.
O herói medita.
Sabe que vive um vazio, mas não consegue compreendê-lo. Decide isolar-se e filosofar a respeito.
O herói se aliena.
Faz de tudo para não viver o vazio que sabe que sente. Pragmático, facilita a existência.
O herói sublima.
Vive as fantasias que cria para não precisar encarar sua realidade vazia.
O herói se deprime.
Bebe o dia todo para anestesiar a angústia que o vazio lhe traz. Quanto mais bebe, mais angustiado fica.
O herói é sádico.
Regorzija-se com o desespero de se saber condenado ao vazio.
O herói crê no futuro.
Intui que o vazio é algo passageiro e que em algum momento compreenderá o sentido de tudo.
O herói é um ingênuo.
Sempre diz que é preciso manter a esperança, que os problemas passam e que tudo ficará bem no final, até mesmo a sensação de vazio.
O herói flerta com a morbidez.
Vive repetindo que a morte é o único sentido da vida, vazia.
O herói é raso.
Gosta mesmo é de comer em frente à TV, ver sacanagem na internet, jogar videogame, gastar em roupas, frequentar lugares badalados e trepar com garotas de programa. Não há vazio na superfície.
O herói caminha pelas ruas vazias.
Fala sozinho, chora no escuro, escreve cartas de amor e diz aos amigos que gosta muito deles.
O herói decide deixar o povoado.
Faz as malas e parte em busca de algo que não sabe o que é, para que ao menos o vazio que o acompanha mude de lugar.
(para Cláudia e João Gabriel de Lima, um texto da Mariana sobre nossas reflexões a respeito do mito do "herói sai, herói vence, herói volta", do romance, de Machado e de Flaubert)
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
cruisin'
aquilo tudo foi mesmo incrível.
arremessávamos como Larry Bird:
a gente lá, só "stup, stup, stup",
e as bolas só lá, "chuá, chuá" na cesta.
depois, pulávamos em uma cama elástica,
os cabelos subindo, os cabelos descendo.
exaustos, tomávamos suco de abacaxi bem gelado,
temperado com folhas de hortelã,
uma ducha bem fria, uma brisa bem quente,
e o sol não fazia mal pra ninguém.
eu te contava uma coisa bem boba, baby,
e a gente ria até doer a barriga.
até a barriga roncar, e eu cozinhar
carne assada, arroz e farofa.
barriga que depois ficava pro ar:
olha um camelo, percebe o bico de um pássaro?
e a gente voava, voava,
e a gente cantava,
e a gente dançava,
como se fôssemos Smokey Robinson.
Assinar:
Postagens (Atom)
